Fidelização de mercado é um conceito que surgiu com muita força no inicio do ano 2000 e até hoje me pergunto, será que ela existe mesmo? Atualmente, a fidelidade do mercado com ênfase nos setores de serviços, vestuário, cosméticos, brinquedos entre outros, vem ganhando destaque e importância com o crescimento contínuo dessa atividade econômica no Brasil e no resto do mundo.
A alta competitividade nesta área, tem mostrado uma forte tendência nas empresas em migrar de estratégias baseadas em satisfação para estratégias orientadas à fidelização, pois são evidentes os resultados positivos financeiros quando se tem uma base de clientes fiéis. A busca pela fidelização está entre os principais problemas enfrentados pelos gestores e executivos, a partir do momento em que se percebeu que a fidelidade dos clientes é que garantiria retornos financeiros futuros.
A indústria de artigos têxteis e confecções em especial, são marcadas atualmente pela migração da produção em busca de mão-de-obra mais barata ao redor do mundo, facilitada pela baixa qualificação exigida da força de trabalho e pelos poucos requisitos de infra-estrutura necessários à instalação das fábricas.
O movimento é mais forte no setor de confecções, mais intensivo em mão-de-obra e menos exigente em escalas de produção, mas ocorre também, em menor grau, para nas indústrias de fiação e tecelagem. A tendência do mercado mundial é de maior dinamismo no segmento de confecções. O comércio internacional desse item vem crescendo bem acima da média verificada para produtos têxteis – nos qual o Brasil é mais forte.
A busca por ofertar qualidade nos serviços prestados e produzidos, garantir a satisfação dos clientes, orientou por muito tempo estratégias de empresas de confecção no intuito de consolidar suas posições diante dos concorrentes ou de crescer sua participação no mercado. A idéia dominante era que bastava para as empresas conseguir níveis altos de satisfação para garantir que os clientes continuariam dando preferência a seus produtos e serviços ao longo do tempo.
Na era em que luxo, fashion, moda, grife acabam caindo numa grande confusão na cabeça do consumidor final, os confeccionistas precisam mais que nunca, buscar tirar da cartola estratégias de trazer o varejista para tornar-se seu cliente e buscar diferencial qualitativo nos produtos fabricados e nos serviços oferecidos, para conquistarem um espaço na constelação dos bem sucedidos.
O valor agregado passou a ser o grande diferencial, uma vez que a base dos tecidos quase sempre tem sido a mesma, vide o caso do jeans. Diversidade de cortes, lavagens e preços. Mais do que fidelizar, o confecionista hoje deve estabelecer ofertas nas negociações financeiras, trabalhar com margens maiores, ter um investimento em tendências mercadológicas, extinguir o “dirador de pedidos” e investir num profissional de moda que, mais do que vender ele vai ofertar ao varejista a formula daquele produto produzido ser um sucesso no mercado.
O que mais vejo é que em fusão dessas constantes mudanças de signos e tribos, o varejista precisa receber do confeccionista, dados que ele irá disponibilizar no mercado e com certeza caiará no famoso “gosto popular”.
O conceito de fidelidade tornou-se mais relevante ainda, a partir do momento em que as empresas começaram a perceber que a fidelidade dos seus clientes é que garantiria retornos financeiros futuros. Conforme Matheus Oliver (1996), a fidelidade tem efeito sobre a lucratividade na medida em que tem uma influência direta sobre o fluxo futuro de clientes. A compreensão dos efeitos financeiros ocasionados pelo aumento do nível de fidelidade e conseqüente redução na deserção de consumidores é de suma importância. A busca contínua pela fidelização e garantia de um relacionamento duradouro não deve ser entendido como um custo, mas como um investimento que gera margens de lucro crescentes e superiores às conseguidas com clientes eventuais e esporádicos.
Como existem diferenças nas extensões dos níveis de satisfação e fidelidade em cada tipo de serviço, as estratégias de fidelizar clientes devem considerar as características de cada negócio, permitindo assim modelar uma estratégia de fidelidade adequada à natureza de cada serviço.
A literatura acadêmica, por muitas vezes, tratou de forma ambígua os conceitos de “qualidade de serviços” e “satisfação do consumidor”. Apesar disso, uma revisão mais recente na literatura específica sobre “satisfação do consumidor” indica existir um consenso sobre estas definições. Qualidade de serviço é definida como uma atitude de longo prazo, enquanto que satisfação do consumidor é um julgamento transitório formado a partir de um encontro específico na realização de um serviço. A percepção da qualidade de serviço reflete a avaliação de percepções de serviços realizados em pontos específicos do tempo enquanto que a satisfação é um julgamento de qualidade ao longo do tempo. |