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PONTO DE VISTA
Educação é a base para o melhor cabeleireiro do mundo
por: Hideaki Iijima*

Sempre que me perguntam: “Quem é o melhor cabeleireiro do mundo”, eu respondo: o Brasileiro. É o mais criativo e talentoso, com muito bom gosto e uma enorme simpatia, que encanta o cliente com sua alegria e modos gentis. Mas, logo em seguida, sou obrigado a dizer: “É, mas não é... poderia ser”. Antes que fiquem confusos, vou logo explicando: o brasileiro tem todas as condições para ser o melhor cabeleireiro do mundo, se tivesse a base teórica da profissão. Infelizmente, a falta de uma regulamentação para a profissão, nesse caso, atrapalha – e muito. Por que, sem a obrigação de ter um diploma, o brasileiro, com seu talento e criatividade, consegue “se virar” na profissão e acaba se convencendo que já sabe tudo sobre cabelo - e nem imagina quanto poderia melhorar se tivesse base teórica.

Não quero aqui criticar meus companheiros de profissão, até porque eles trabalham legalmente, dentro das regras do país. Falo porque venho de uma realidade diferente e sei como é importante ter uma boa base teórica para conseguir expressar uma idéia tendo somente cabelos como matéria-prima. No Japão, a profissão de cabeleireiro é regulamentada e quem quer trabalhar como cabeleireiro tem que fazer um curso técnico profissionalizante de dois anos, após a conclusão do II grau, e ser aprovado no exame de qualificação do Governo para receber o diploma e ingressar num salão.

Imagine quanto um profissional que trabalha com química capilar pode ganhar se tiver a base teórica da química! A regra número 1 de qualquer bom cabeleireiro é “valorizar ao máximo o cabelo natural” e isso só é possível se a pessoa conhecer a anatomia dos cabelos, souber analisar a condição dos fios, comparar o estágio dos cabelos com a faixa etária da pessoa, conhecer a importância dos hormônios na saúde dos cabelos, enfim, existe muito mais “ciência” na profissão do que somente “arte”. De fato, quanto mais conhecimento o cabeleireiro tiver, mais artístico será o seu trabalho, porque ele saberá como dar vazão à sua criatividade e explorar o seu talento.

No Soho, ninguém se torna cabeleireiro sem passar pela Academy, onde ensinamos teoria e técnica da profissão. Mais ainda, ensinamos a filosofia e a ética do Soho, que se traduz por profissionalismo, com base, humildade, honra e gratidão. Para crescer, a árvore tem que ter raiz, receber a chuva e o sol e muitas vezes precisa envergar os galhos para não quebrar por causa das tempestades. Precisa também ter paciência, porque cresce muito devagar. No Soho, acreditamos que um bom cabeleireiro é como uma árvore: tem uma base teórica e técnica sólida, que é a sua raiz; tem persistência e humildade para esperar o seu amadurecimento profissional, tem gratidão pelas oportunidades e os clientes que recebe e busca aprimorar os seus processos, porque sabe que deles depende o bom resultado do seu trabalho.

*Hideaki Iijima é fundador da rede SOHO International. Rede que engloba 27 salões e 2 academias.
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Hideaki Iijima

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