Quem ainda não ouviu falar em crise, neste ano? Quem não olhou o movimento do salão e pensou: “Puxa, a crise anda brava mesmo”? Na verdade, acredito que a crise tenha conquistado mais espaço nos meios de comunicação e nas conversas com amigos do que a própria gripe suína. E olhe que a gripe não deu trégua aos jornalistas! Todo dia fomos bombardeados com informações sobre o avanço do vírus A H1N1 no mundo, de tal modo que parecia que seríamos exterminados por este microorganismo. Mas, assim como a gripe, a crise também está dando sinais de arrefecimento. Os dados econômicos vindos de toda parte do mundo já dão mostras de que a crise também está passando. É uma pena, porque tenho certeza que muitos de nós ainda não aproveitamos o lado bom das crises: a oportunidade que elas apresentam de nos fazer repensar e recomeçar a vida a partir de uma nova atitude.
Costumo dizer que “quando está bom, está ruim; e quando está ruim é que está bom”. O que quero dizer com isto é que temos a tendência de pensar sempre no lado negativo das coisas. Só enxergamos as dificuldades e nos esquecemos de valorizar o que a vida nos dá de bom. Quando tudo vai bem, não percebemos o verdadeiro valor das pessoas, da família, dos amigos, do trabalho. E cultivar o verdadeiro valor de tudo é o que nos torna fortes e resistentes às crises. Nós somos muito parecidos com as árvores: se a raiz está saudável, a tempestade pode até derrubar algumas folhas e quebrar um ou outro galho, mas a árvore continuará em pé e voltará a florir no tempo certo. Do mesmo modo, nós precisamos estar bem firmes em nossas raízes para enfrentar o mau tempo.
A crise é a nossa chance de fortalecer nossas raízes. Em tempos difíceis, podemos re-aprender, re-começar, re-pensar e nos re-educar para quando vierem os dias melhores. Se estamos recebendo menos dinheiro porque a crise está diminuindo a nossa clientela, então podemos aproveitar esta dificuldade para re-planejar os nossos gastos. De quanto realmente precisamos para viver? Responder a esta pergunta com sinceridade vai nos fazer perceber que precisamos de metade do que temos. Em tudo: roupas, acessórios pessoais, até mesmo na comida – tudo pode ser reduzido, sem perda da qualidade. O resto é mottainai, que em japonês pode ser traduzido por “desperdício”. Quem aprende a viver com o mínimo desfruta muito mais quando tem a oportunidade do máximo. Quem não sabe viver com o mínimo também não ficará satisfeito com o máximo.
A crise nos dá a oportunidade de aprender a planejar. Em nossa profissão, temos a tendência a não dar importância para encantar o cliente quando as coisas vão bem e o salão está cheio de gente. Esquecemos que o cliente tem que ser conquistado todo dia, porque quando a crise vier, ele não vai parar de cortar o cabelo, apenas vai reduzir o número de vezes em que corta e se não estiver firme conosco, com certeza irá procurar outro salão, que faça o serviço mais barato. Atender bem, trabalhar bem e com preço justo tornam o cliente fiel. Nas crises, temos tempo para pensar nisso e planejar as atitudes que vão nos levar a uma condição mais feliz quando o sol voltar a brilhar. Não existe crise. Existe uma nova janela de oportunidade e cabe a nós dizer como queremos olhar através dela. |