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PONTO DE VISTA
Visagismo sob a ótica da psicologia analítica
por: Raquel Ramos Lira*

A personalidade e o comportamento humano, segundo o psicanalista suíço Carl Gustav Jung, tem sua principal base de formação os arquétipos. O que são arquétipos? Bem, na definição da palavra, arque, que dizer, início, principio, causa e tipo, é retrato, imagem, molde. Então, arquétipos, definidos por Jung, são o conjunto de características  da raça humana, que serve de base para modelos, porém, estabelecidas no inconsciente.

Esses arquétipos, por estarem no inconsciente, não são tangíveis  limites do tempo e espaço. Eles trazem à tona uma memória remota, pertencentes ao coletivo, já que falamos da raça humana, de uma sociedade, com diferentes culturas, costumes, etc.
Devemos entender que estes arquétipos sofrem mutações, pois parte da própria vivência humana, razão pela qual Jung discordava de Freud quanto ao inconsciente, enquanto para o segundo o inconsciente é invididual, para primeiro o inconsciente é coletivo.

E o que tudo isso tem a ver com visagismo?

Tudo! A imagem das pessoas tem sua base construída nos arquétipos pertencentes à sua raça e sociedade, incluindo, costumes referente à vestimenta, profissões, religião, língua, história, criando assim sua própria identidade

Se os profissionais que trabalham com imagem quer seja pessoal, ambiental, física e até comportamental, não levarem em conta a história pregressa das pessoas, podem cometer equívocos por vezes irrevogáveis, já que a imagem é o reflexo da identidade do ser humano.
Aqui se incluem profissionais da área da beleza, como cabeleireiros, esteticistas, maquiadores, medicina estética, como os cirurgiões plásticos, profissionais de arte, como, artistas plásticos, decoradores, arquitetos, e até mesmo administradores. E esta é a principal razão, pela qual é importante esclarecer que visagismo não é uma matéria ou conceito exclusivo da área da beleza.
Porém,  dissertando sobre os profissionais desta área em especial os cabeleireiros, faremos algumas considerações.

Os cabeleireiros em geral são formados por um sistema educacional, onde a premissa fundamental é o  ensinamento de técnicas e não de conceitos, por isto, em sua maioria, conforme mencionado por Philip Hallawel em seu último livro, Visagismo, Indentidade, Estilo e Beleza, SENAC, 2009, são artesãos, quando deveriam ser artistas. O artesão aprende uma técnica e a repete em seu trabalho da melhor forma possível. O artista aprende uma técnica, transforma-a em conceito através de métodos personalizados, este sim é o verdadeiro “hair stylist”....porém, são poucos....
Considerando tais observações, o cabeleireiro para utilizar o visagismo em seu trabalho, deve aprender a desenvolver conceitos, pois desta forma, saberá personalizar seu trabalho, quer seja em corte, como em colorações, penteados e etc.
O conceito de visagismo, ainda é muito novo, haja vista, o pouco material escrito sobre o tema, sendo esta uma das razões por haver interpretações equivocadas sobre o que é visagismo e como aplicá-lo.

É necessário que o profissional cabeleireiro se dedique muito ao estudo sobre o tema, busque identificar se realmente tem habilidades ou pelo menos potencial que possa ser desenvolvido, e assim alcançar a graduação de “visagista da beleza”.
* Raquel Ramos Lira é Psicóloga Organizacional e pós-graduada em Gestão Empresarial e Marketing, formada pela Fundação do Comércio Álvares Penteado.
Veja também as outras matérias de Raquel Ramos Lira:
Visagismo sob a ótica da psicologia analítica
Raquel Ramos Lira

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