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PONTO DE VISTA
Os maiores enganos na administração X
por: Roberto Falcão*

Neste artigo vamos pontuar e comentar as principais causas que levaram empresas a fecharem suas portas, segundo a tabela apresentada do levantamento do SEBRAE. Entre parênteses apresentamos a porcentagem de empresários entrevistados que apontaram o motivo em questão como justificativa para a falência de sua empresa.

Carga tributária elevada (1%):
É pertinente comentar três aspectos quanto a este motivo: em primeiro lugar, a carga tributária por mais elevada que seja (e realmente é absurda no Brasil), ela é igual para todas as empresas de um mesmo setor. Uma vez que boa parte das empresas consegue arcar com ela, torna-se questionável sua utilização como justificativa única ao fechamento de uma empresa. Segundo, ela é perfeitamente calculável e previsível a qualquer momento, pois é sempre resultado da multiplicação de um valor percentual (alíquota) pelo faturamento ou pelo lucro (base de cálculo) – de acordo com a modalidade de tributação escolhida: SIMPLES, Lucro Presumido, Lucro Real. Por último, ainda que possa haver muitos empresários que acreditam ser possível sonegar tributos por muito tempo, a realidade mostra o oposto. A Receita se profissionalizou muito, criando novos cruzamentos de dados, levantando informações de outras fontes (cartão de crédito, movimentação bancária, revistas de fofoca etc.) e informatizando toda sua estrutura.
Assim, por um lado a carga tributária é conhecida pelo empresário antes mesmo de se iniciar e montar uma empresa e, por outro, a Receita tem uma boa estimativa do valor que a empresa deve declarar.
Um bom planejamento financeiro permite ao empresário perceber quanto deve faturar, quantos clientes devem ser atendidos, que preço deve ser cobrado pelos serviços/produtos, qual o limite que a empresa pode ter de contas a pagar entre outros índices muito importantes como a viabilidade econômico-financeira do investimento, o ponto de equilíbrio, o próprio capital de giro, o prazo para retorno do investimento, a fim de se fugir da perigosa e criminosa prática da sonegação.
Isto sem falar em planejamento tributário. Planejamento tributário é um planejamento, desenvolvido com a ajuda de advogados tributários, que analisa as eventuais alternativas legais para uma empresa minimizar sua carga tributária.
Fica evidente, portanto, que ou o empresário deixou de fazer um bom planejamento ou então optou pela sonegação e foi pego na malha fina. Independente da alternativa, não houve administração.
Ainda que possa ser difícil e trabalhoso, qualquer empresário pode e deve fazer uma análise tributária do negócio que pretende montar para que sua empresa não seja afetada por qualquer uma das duas opções.

Outra razão (14%):
Difícil analisar o que pode estar enquadrado em “outra razão”. Provavelmente são motivos muito parecidos com os anteriores, os empresários entrevistados se sentiram envergonhados em citar as reais causas (talvez por reconhecerem seus próprios erros), ou talvez sejam desculpas que não justificam o fechamento das empresas e, por isso, a pesquisa sequer as listou.
Independente do que venha a ser “outra razão”, salvo em casos graves de doença (pessoal ou em família), motivos de viagens inadiáveis, disputas judiciais (como divórcios litigiosos), desastres naturais, violência urbana extrema e casos semelhantes, qualquer outra razão poderia ter sido evitada ou até eliminada se realmente houvesse consciência, preocupação e dedicação com a administração dos negócios.
 
Nosso discurso pode levar algumas pessoas a pensarem que temos a ingenuidade de acreditar que a administração é capaz de acabar com toda e qualquer espécie de falência. Não se precipite. Não foi o que falamos. Qualquer negócio envolve certo grau de risco. O que queremos reforçar é a capacidade que a administração profissional tem de prever acontecimentos e mudanças nos ambientes interno e externo, de desenvolver ferramental que proteja a empresa, sanar a maior parte das falhas críticas da organização e, assim, minimizar impactos negativos à saúde da empresa.

Com este artigo terminamos a apresentação geral panorama do que é e da importância da administração séria no mundo dos negócios.

Na próxima edição vamos iniciar a apresentação mais pontual dos principais enganos na administração, começando com a diferença entre decisões/atividades operacionais e estratégicas.

Acompanhe e nos envie suas dúvidas. Sempre vale a pena aprender com o erro dos outros! É mais barato e menos doloroso do que aprender com nossos próprios erros.

Até breve.

*Roberto Falcão é administrador de empresas com formação nas melhores escolas brasileiras e internacionais, dirige a Notabile Beleza e Saúde.
www.notabilebeleza.com.br
consultoria@notabilebeleza.com.br
Veja também as outras matérias de Roberto Falcão:
Os maiores enganos na administração XI
Os maiores enganos na administração X
Os maiores enganos na administração IX
Os maiores enganos na administração VIII
Os maiores enganos na administração VII
Os maiores enganos na administração VI
Os maiores enganos na administração V
Os maiores enganos na administração IV
Os maiores enganos na administração III
Roberto Falcão
Os maiores enganos na administração II
Os maiores enganos na administração

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