Nos próximos dois artigos, antes de comentarmos aos principais enganos na administração (quando existe algum tipo de esforço administrativo), vamos apresentar os últimos dados divulgados pelo SEBRAE para reforçar o que discutimos no artigo inicial.
Em 2007, durante a feira de cosméticos Hair Brasil, o SEBRAE apresentou os resultados de uma recente pesquisa realizada em salões de beleza pelo Brasil. A divulgação ocorreu durante o 1º Seminário para Micro e Pequenos Empreendedores do Setor de Beleza, e apontou diversos números alarmantes. Entre os empresários entrevistados:
- 50% alegaram não precisar de controles em suas empresas;
- 35% não participaram de nenhum evento do setor nos últimos 3 anos;
- 65% dos empresários não sabem calcular o lucro de seus salões.
Quando consideramos empresários, estamos falando de pessoas que investiram dinheiro em um negócio na expectativa de gerar emprego e renda (retorno financeiro).
Contudo, metade acredita que não precisa de controles e mais da metade sequer sabe como medir algo básico como o lucro. Além disso, mais de 3 em cada 10 acreditam que o mercado não muda. Sequer imagina o que é e qual o impacto da globalização e da concorrência, e não participam de eventos. Dão-se ao luxo de não conhecer e não acompanhar as regras do jogo.
Tal ingenuidade equivale a se entregar uma mala de dinheiro a um desconhecido e esperar que ele a devolva com mais dinheiro dentro. Triste notícia: nem o senhor Mercado nem o senhor Concorrência são tão bonzinhos assim e vão fazer de tudo para ganhar o jogo.
Se você tem dinheiro sobrando e a questão é o que fazer com ele, seguem algumas sugestões mais interessantes do que arriscar tudo em um negócio próprio:
- Se o objetivo é apenas tentar gerar empregos, faça uma doação a alguma respeitada ONG. Com certeza, a entidade conseguirá melhores resultados;
- Se, por outro lado, a intenção é ter retorno financeiro independente do risco, invista em ações de uma companhia sólida. O risco é altíssimo, mas o retorno será mais interessante do que o de um negócio próprio mal administrado;
- Por fim, se a intenção é apenas complementar a aposentadoria, a melhor saída são os planos de previdência privada.
Não se sentir preparado ou ter dúvidas sobre como administrar um negócio é perigoso, mas possível de ser corrigido. Investir em um negócio e ter a convicção de que ele, por si só, vai gerar lucros é muita ingenuidade, senão burrice. Especialmente no Brasil, um país tão incerto e com tantas empresas que quebram antes de completar 4 anos de existência.
Periodicamente o SEBRAE divulga um estudo chamado “Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil”, que pode ser consultado na página da entidade.
No próximo artigo vamos apresentar as principais causas apontadas pelos empresários entrevistados sobre o motivo de terem fechado as portas de suas empresas antes que elas completassem 4 anos de existência e pontuaremos onde faltou administração.
Não se assuste, senão em todas, em pelo menos 10 das 13 justificativas, os empresários ainda poderiam ter suas empresas se tivessem se preocupado em administrar seu negócio.
Acompanhe as próximas edições e nos envie suas dúvidas. Sempre vale a pena aprender com o erro dos outros! É mais barato e menos doloroso do que aprender com nossos próprios erros.
Até breve. |