Neste artigo vamos pontuar e comentar as principais causas que levaram empresas a fecharem suas portas, segundo a tabela apresentada do levantamento do SEBRAE. Entre parênteses apresentamos a porcentagem de empresários entrevistados que apontaram o motivo em questão como justificativa para a falência de sua empresa.
Falta de mão de obra qualificada (5%):
Esta justificativa é triste e preocupante por um lado e bastante curiosa por outro.
O aspecto triste e preocupante é o fato de esta justificativa ser reflexo da realidade brasileira.
O nível educacional médio vem decaindo com grande velocidade. Em parte em função da decadência da educação pública e da apologia à ignorância pela qual o país tem passado nos últimos anos e em parte em função de políticas trabalhistas e governamentais que levam as pessoas à postura de mínimo esforço. Auxílios financeiros, benefícios desmerecidos e paternalismo não formam cidadãos conscientes e responsáveis, bem como inviabilizam o desenvolvimento sustentável do país.
Ainda assim, este aspecto é dado, ou seja, não deveria ser uma surpresa para nenhum empreendedor.
Este é o lado curioso desta justificativa.
Como é possível a falta de mão de obra qualificada levar uma empresa à falência? É reflexo tanto da falta de planejamento quanto da precária criação de uma estrutura de capacitação e treinamento para um produto ou serviço muito específico e inovador.
É uma mera desculpa (mais uma vez em busca de um culpado externo) ou o problema é a própria empresa (seja sua estrutura ou o próprio produto em si) que afugenta melhores profissionais?
Independente do que seja, o administrador deveria, no mínimo, compreender as causas, prever dificuldades de mão de obra específica e desenvolver alternativas que protejam sua empresa.
Falta de crédito bancário (14%):
Mais uma vez a falta de planejamento e administração financeira aparece. É evidente que, especialmente no Brasil e principalmente para quem está iniciando uma empresa, o acesso a crédito não é fácil. A situação se agrava em momentos de crise, durante os quais o crédito é reduzido, os juros aumentam e os prazos encurtam.
Contudo, esta realidade deveria dificultar novos investimentos (seja a abertura ou a ampliação de uma empresa) e não levar empresas que já estejam no mercado a fechar suas portas.
O desenvolvimento de um bom plano de negócios durante a fase de planejamento da nova empresa (incluindo uma boa projeção de lucros e fluxo de caixa) não apenas permite que o administrador determine, de antemão, os montantes necessários para cobertura de caixa dos primeiros meses e para capital de giro, mas também são fundamentais para se ter acesso a crédito.
Nenhuma instituição ou pessoa física em sã consciência empresta dinheiro para alguém que não tenha desenvolvido um bom planejamento. Um plano de negócio chega a ser uma exigência de muitos bancos, atualmente, para a concessão de financiamentos e empréstimos.
É importante acalmar os mais exaltados: claro que existem situações imprevisíveis e que podem prejudicar severamente as empresas. Em momento algum isso foi dito.
A grande questão é que não é verossímil que a falta de crédito bancário possa ter levado 14% dos entrevistados, ou 8% do total das empresas, a terem fechado suas portas. Muito mais provável é que a falta de planejamento tenha levado boa parte deles (se não todos) a não prever necessidades de caixa e/ou a determinar mal o capital de giro necessário a seu negócio.
A dúvida que surge é o que realmente aconteceu com estes entrevistados.
Percebemos quatro situações mais prováveis: não houve administração financeira e quando a empresa realmente precisou de crédito, não conseguiu; faltou administração financeira e a empresa conseguiu crédito, mas a falta de administração levou o empresário a não avaliar sua capacidade de pagamento das parcelas; houve administração das finanças, alterações no mercado impuseram a necessidade de novos investimentos, houve acesso a crédito, mas faltou uma boa previsão que apontasse inviabilidade financeira (falta de caixa para arcar com juros elevados ou retorno insuficiente para o investimento feito); houve planejamento, mas alguma alteração no mercado impôs a necessidade de novos investimentos e a falta de crédito inviabilizou a continuidade do negócio.
Dos quatro cenários, apenas o último apresenta uma situação que foge do poder do administrador.
Continuaremos nossos comentários nas próximas edições.
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Até breve. |